Amo-os, sem sentimento de posse. Cada amor diferente. Dois me saíram, uma veio de rua, e o outro veio depois dela. Não possuo, não posso. E cada um conhece uma faceta minha que eu ainda desvendo. O primeiro, test drive, me conhece mais que acha, aposto. Leal, contido, parceiro. Toda a vez que nos encontramos, enveredamos pela treta culinária — não sei se ele imagina que eu REALMENTE AMO comer, mas está valendo. A segunda me veio com ciúmes. Tava tão indefesa, eu catei e depois ela veio cheia de ordens em mim. Acatei todas. O filho dela, o terceiro, deveria inclusive ser caso em faculdades de psicologia: tá pra nascer filhote tão complexado. A gente se ama, eu sei, mas ele me trata como carinhosadora. Como não amar? O quarto e último (espero) é um cara que não sabe esperar. Um cara que desde quinze dias de existência já se impôs e já disse a que veio: rock everybody’s world. O que fazer? Perco a paciência. Me arrependo. Dou beijinho. Esqueço as regras. Durmo no chão. Acordo três vezes por noite. Paro de dormir. Tomo mais café que água. Deixo de tomar banho. Trabalho de madrugada. Não almoço sempre. Não como aquilo que gosto. Deixo de acompanhar minhas séries. Meu tempo não existe. Minhas leituras que esperem. Meu futuro que aguente. Mas quando ele sorri, eu babo.

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