Filhos terça-feira, abr 28 2015 

Amo-os, sem sentimento de posse. Cada amor diferente. Dois me saíram, uma veio de rua, e o outro veio depois dela. Não possuo, não posso. E cada um conhece uma faceta minha que eu ainda desvendo. O primeiro, test drive, me conhece mais que acha, aposto. Leal, contido, parceiro. Toda a vez que nos encontramos, enveredamos pela treta culinária — não sei se ele imagina que eu REALMENTE AMO comer, mas está valendo. A segunda me veio com ciúmes. Tava tão indefesa, eu catei e depois ela veio cheia de ordens em mim. Acatei todas. O filho dela, o terceiro, deveria inclusive ser caso em faculdades de psicologia: tá pra nascer filhote tão complexado. A gente se ama, eu sei, mas ele me trata como carinhosadora. Como não amar? O quarto e último (espero) é um cara que não sabe esperar. Um cara que desde quinze dias de existência já se impôs e já disse a que veio: rock everybody’s world. O que fazer? Perco a paciência. Me arrependo. Dou beijinho. Esqueço as regras. Durmo no chão. Acordo três vezes por noite. Paro de dormir. Tomo mais café que água. Deixo de tomar banho. Trabalho de madrugada. Não almoço sempre. Não como aquilo que gosto. Deixo de acompanhar minhas séries. Meu tempo não existe. Minhas leituras que esperem. Meu futuro que aguente. Mas quando ele sorri, eu babo.

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Protegido: dissertação completa — versão final mesmo domingo, set 28 2014 

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Protegido: dissertação final sábado, set 27 2014 

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Protegido: sexta-feira, set 26 2014 

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Protegido: quinta-feira, set 25 2014 

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Protegido: quinta-feira, set 25 2014 

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Aos meninos quinta-feira, jun 13 2013 

lu 037

Choro não é fraqueza. Agora, você ainda é um bebê, portanto, sua comunicação é basicamente assim. É fome, é cansaço, é sono… é dor. Você vai descobrir, mais tarde, que esta dor pode não ser apenas física, mas moral também. Às vezes, esta vai poder ser tão intensa no seu interior que te causará dor física, e, infelizmente, não vou poder fazer nada para evitá-la; você vai ter de passar por isso, mas espero estar ao seu lado quando e se você doer de amor, de indignação, de frustração… e de impotência — na minha opinião, a pior delas. Em contrapartida, você também descobrirá que também se chora de felicidade, de emoção, de alegria. E que talvez aquele mesmo amor que te doeu e causou lágrimas também seja capaz de deixar-lhe molhadamente feliz. Não, filho, choro não é fraqueza. E como você é menino, vão tentar te convencer do contrário, mas não se intimide. Apenas divida seu pranto com quem vale a pena. E nunca, nunca deixe de chorar.

Oi? quinta-feira, jun 21 2012 

Estamos sendo observados o tempo todo, óbvio, e o culto da celebridade, a necessidade de aparecer para alguém – nada que não já tivessem dito 30, 50 anos atrás – não nos ia deixar longe disso e tampouco nos proteger.

A minha questão é a de que, nos dias atuais, várias profissões sejam criadas a partir justamente deste novo nicho – ou seja, houve quem se autointitulasse um “analista de mídias sociais” antes de a profissão existir, claro. Ou seja, alguém teve que ter toda uma vivência, um background para criar esta profissão – baseado, claro, na necessidade do mercado. Mas coisa do lugar-certo-na-hora-certa. E, ainda assim, o mercado despreza o profissional.

Uso o meu exemplo. Sou formada em Letras. Sim, não fazia ideia do que fazer aos 16-17 anos e escolhi este curso achando que iria ser legendadora de filmes. Para tal propósito, matriculei-me em Tradução – curso que, no “frigir dos ovos” (quem estudou comigo vai entender a escolha da expressão), não foi o que eu terminei. Acabei, por fim, descobrindo que a Literatura gritava em mim, e que era isso que eu devia fazer – ou seja, foi pra isso que eu tive créditos para formar. Já que eu estudava numa universidade federal, muitas escolhas foram tolhidas e fiquei alheia a diversas disciplinas que eram não de meu interesse a princípio – mas que me comoveram. Enfrentei as licenciáveis. E me apaixonei. Passei anos em sala de aula – sem qualquer arrependimento, se é este o seu questionamento. Foram anos ótimos. Mas, ao migrar para São Paulo e ter condições péssimas de trabalho naquele ramo que eu julgava ser um dom, obliterei o que era bom a respeito do processo – para a minha pessoa, óbvio. E não consegui mais viver assim. E me meti num escritório. Horários, exploração, metas, “objetivos”. Ó-ká.

E descobri que talvez fosse essa a forma de poder fazer dos meus sonhos realidade, depois de um tempo, muito embora eu não saiba dizê-los de cor até hoje. E virei revisora propriamente dita, sem ao menos pedir por isso – apareceu, consigo fazer bem e etc.

No entremeio, encontrei um dom antigo: o da tradução. Muito tempo atrás, de forma a me incentivar, minha mãe constantemente me pedia traduções de soluções de videogames (a paixão dela – da hora), e eu construí um arcabouço interessante para trabalhar na área. Isso a partir dos 12-13 anos. Hoje eu tenho clientes que eu posso julgar fixos, que querem a tradução que eu faço. Sem programas,sem truques, sem terceirizações (só se não se tratar do español, ay).

E eis-me que hoje eu me encontro completamente perdida neste mercado de trabalho no qual as pessoas me perguntam o “signo”, “os gostos musicais”, “o último filme a que eu assisti”, entre outras coisas que, sinceramente, são bobagens, pelo menos no meu ponto de vista. Se você for de “áries”, você não vai me contratar porque eu sou de “câncer” e isso remete à unidade cósmica de que “fogo” e “água” não combinam? Ai, eu vou “apagar a sua fogueirinha”? Desculpe-me, eu devia ter feito uma busca por aí para saber qual ascendente eu podia ser seu. E ó, tamo junto. Só quero compatível, hein? Quiroga que me acalme.

Mas, sério, vou deixar de trabalhar contigo por ter nascido no dia 4, no dia 10, no dia 31, ou até mesmo porque gosto do Corinthians? E o que eu faço, você não quer saber? E a minha experiência, de quase, sei lá, 13 anos trabalhando com linguagem e afins? Acho que rola um “equivocamento”. Não vou ser o que você quer que eu seja para conseguir um emprego. Acredito – de verdade – que deveríamos ser igualitários.

Sem mais.

Nostalgia quarta-feira, abr 4 2012 

Sinto saudades. Saudades de quando os problemas pareciam muito menores, saudades do que eu poderia ter sido e não fui, saudades do que eu achei que eu seria. Saudades de quando as consequências não acarretavam maiores prejuízos. Enfim, saudades de quando dançar era tão natural que nunca se perdia o passo.

Mais uma de (não)trabalho domingo, mar 4 2012 

Sempre gosto de enxergar um lado positivo em todas as coisas… confesso que não é fácil e que estou perdendo um pouco da empolgação e da espontaneidade no fazer isso, mas… bom, é passando por experiências ruins que a gente se conhece melhor e sabe dizer com mais proprieddae o que a gente não quer da vida, certo? E este é o lado positivo da minha última incursão ao tão temido “mercado de trabalho”.

Pois bem; após ter passado o ano de 2011 praticamente inteiro trabalhando em casa por conta própria, eis que, nos últimos dias de dezembro, quando eu já planejava passar natal & ano-novo com a minha família, surge a ligação de uma universidade conhecida (por ser muito ruim, é verdade, mas isso não vem ao caso nesta parte), que pedia que eu voltasse imediatamente de Minas para fazer uma entrevista. Bom, eu queria realmente um emprego formal, ainda mais para trabalhar em educação, e voltei para São Paulo quase que imediatamente… em suma, pulei de uma unidade para outra, fazendo testes, exames etc. Não deu nem para passar o ano-novo com a família 2, na praia, pois a entrega dos documentos estava marcada para o dia 2 de janeiro e o trânsito em SP é algo com que já se deve contar. E eu não podia perder esta oportunidade, não mesmo.

Daí que os trabalhos começariam no dia 9, e eu descobri que iria ter que trabalhar nos sábados… um ponto muito negativo que, se eu soubesse antes, teria interferido muito na minha decisão, já que minha família vive em outro estado e o sábado significaria não vê-la até um bom feriado. Mas, já que o carnaval estava quase aí, me resignei.

[Pois que, uma semana antes do carnaval, me pus a perguntar até quando iríamos trabalhar e recebi como resposta que não iríamos parar, somente na terça. Algo inacreditável, se tratando que o local era uma editora com os trabalhos da revisão bastante adiantados. Mas… bem, na sexta-feira à tarde, soube que não iríamos ter que trabalhar durante o carnaval. E não consegui passagens para Minas, óbvio.]

Mas o triste da situação nem eram esses pequenos percalços, e sim, a falta de respeito com o funcionário. Fomos três revisores contratados na mesma data, e nenhum de nós foi apresentado a ninguém, nem ao processo e nem mesmo aos banheiros – no final das contas, estávamos trabalhando a partir de feelings (que na maioria das vezes não eram bons). Trabalhamos em uma sala mofada, com muito barulho, atrás de uma sala de professores que conversavam gritando, não respeitando o fato de pessoas estarem trabalhando lendo ali mesmo.

Sem contar que o trabalho não tinha qualquer organização; tenho a certeza de que fazíamos um o que o outro já tinha feito, e não adiantava comentar isso com o superior; ele não estava nem aí e não escutava o que tínhamos a dizer.

Daí, um dia qualquer – sexta-feira passada –, ao chegar lá naquela cova para o meu turno, percebi que meu cartão de ponto não estava onde devia… fui ver o que tinha havido no departamento pessoal. Um colega da manhã foi comigo, e nos disseram que tínhamos sido dispensados. Assim, sem conversa, sem justificativa, sem o chefe vir falar conosco ou estar em sua sala: um desrespeito não só com os profissionais, como com os indivíduos que ali estavam fazendo seus trabalhos. Perguntei e o que me disseram foi “redução do quadro”.
Eu bem que achava que tinha muita gente ali para pouco trabalho; havia até falado com os colegas do estranhamento que tive ao perceber trabalhos sendo refeitos todos os dias… mas isso não era problema nosso; eles é que tinham que ter tentado resolver a situação. Ou pelo menos nos oferecer um ouvido que ouvisse o que tínhamos a dizer, creio eu.

O que eu aprendi…? Muita coisa. Aprendi que ‘trampo’ não é para mim; gosto de trabalhar, tenho minha profissão e quero muito me dar bem de acordo com o meu mérito. Para mim, trabalho não tem que ser sacrifício; sacrifício é ficar sem ele. Mas os brutos que me desculpem, mas respeito é fundamental. Sempre achei que, quem quer que fosse, merecia uma cota grátis de respeito. Se essa pessoa faz com que a reduzam ou a aumentem, é mérito dela. Mas que ela tinha direito a começar com um pouco que fosse de respeito. Sinto que ali não nos foi oferecida nem mesmo uma centelha dele. Nem na hora de entrar, muito menos na hora de sair. E descobri também que não vou conseguir passar por mais outra situação assim. Gosto muito do que faço para me transformar em apenas uma ovelha que bate o cartão.

No final das contas, o pré-conceito que eu tinha em relação a essa faculdade e esse colégio se tornou conceito: os professores são obsoletos, não querem se atualizar; em sua maioria, não escrevem bem e se recusam a aceitar qualquer coisa que digam ou que façam para melhorar a qualidade de seus materiais e suas aulas. Parando para pensar, eu, ou melhor, nós escapamos de uma roubada.

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