Sinceramente, não me interessa se você nasceu há 20, 50 ou 80 anos. Ou se em Ponta Porã, Berlim ou São Paulo; pode ter sido até em Pyongyang. Se é negro, amarelo ou rosa de listras azuis; mulher, homem ou hermafrodita.
Importa se você pode entender o que é frustração; se já chorou com os joelhos ralados debaixo do chuveiro; se já se arrependeu de ter roído as unhas a ponto de não enxergá-las mais; se já lamentou ter tido uma atitude, mesmo sabendo que teria se lamentado ainda mais de não tê-la feito; se se frustra com a falta de ser entendido(a); se sabe o que é misturar todos os bastões de massa de modelar para depois precisar de uma só cor e não ter; se já tentou gritar e se encontrou sem voz; se já sentiu que mesmo o que vem em excesso, nunca vem o bastante; se nunca se sentiu satisfeito(a); se já se incomodou de não entender – e percebeu que não fica mais fácil com o tempo; se não sabe precisar o que é felicidade, mas que precisa dela; se já ficou tão tenso a ponto de uma fagulha causar um afogamento de si; se se dói toda vez em que tem que mentir ou fingir para quem ama; se já sentiu vergonha e orgulho ao mesmo tempo só por ser si mesmo(a); se já ‘esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta’… você tem a palavra de que preciso.
Porque hoje é um daqueles dias que só o Álvaro de Campos explica…