É muito fácil julgar os outros. Conheço pessoas que fazem do julgamento de outrem sua religião. Bom, eu já digo de antemão que sou alheia, até o momento, a religiões. Não me dizem respeito, e o máximo que eu puder evitar julgar, ótimo. Não vou entrar neste assunto.

Acho incrível que, na era em que estamos, em que comunicação é fácil, é rápida, é eficiente e engloba absolutamente tudo, as pessoas tenham problemas comunicativos extremos. Creio também que estes partam do simples pré-julgamento. Explico: telefona-se para alguém e esta pessoa não atende e nem retorna a ligação. Pensa-se que algo esteja errado, como “fulano(a) está me evitando”, “cicrano(a) não quis me dar atenção”, “por que raios beltrano(a) não quer falar comigo?”. Pré-acusação de nossa parte; como saber se ful/cicr/beltrano(a) de fato recebeu o chamado naquela hora? A maioria de nós prefere armar seu próprio argumento (ou a falta dele) antes de tentar pensar no outro lado da situação. É um exemplo bobo e corriqueiro, mas isso acontece o tempo todo em nossas vidas. E acho que a educação tenha um papel primordial nisso.

Não tenho grandes ambições; não quero dominar o mundo, não quero ter meu jatinho, não quero um prêmio Nobel. Mas gostaria muito que as pessoas pensassem um pouco mais nas outras – ou melhor, vissem a vida de outros lados. Aliás, isso surgiu na época em que caí em uma sala de aula pela primeira vez do lado de trás da mesa da frente. Feliz ou infelizmente, esse caminho de lousa eu não sigo mais, mas tenho muito respeito pela profissão e sinto que professores e professoras são muito mal valorizados neste país. E creio que só a educação pode nos ajudar, tanto na vida profissional, quanto na pessoal. Um indivíduo com uma boa formação sabe discernir (palavra ‘da moda’ cujo significado não creio ser entendido corretamente por muitos) as consequências de uma atitude, argumentar com clareza – sem se basear em pré-julgamentos ou conceitos. Enfim, o que todos deveríamos ser/fazer mas, infelizmente, não somos e muito menos fazemos.

Mas, fora da utopia e dentro do mundo real, é uma situação ‘ovo-e-galinha’. Como argumentar com uma pessoa que não sabe discernir nem o que pensa do que querem que ela pense? Como eu já comentei neste blog, fico embasbacada com comentários de internet – muitas vezes, não adianta alguém vir coberto(a) de razão e explicar seu ponto de vista de forma clara (aliás, muitas vezes, nem ‘desenhando’); é incrível como há quem não queira abrir a mente para opiniões diferentes! Daí surge o tal do pré-conceito e o tal do pré-julgamento (“como ele pode gostar de homem? EU acho um absurdo e EU não aceito”; “o quê? ela é negra? mas ele é branco… EU não gosto e Eu não aceito”; “como pode ele gostar desse tipo de música? EU não entendo e EU não aceito”; “ela não tem onde cair morta e ele é podre de rico. EU não acredito nisso e EU não aceito”). “EU” sempre acho que estou certo e não paro para pensar nos motivos alheios. “EU” não permito que os outros tenham outros estilos de vida. “EU” não aceito o tempo/momento/atitude/criação/etc. do outro. É bem difícil deslocar o foco do umbigo. Mas o estranho é que “EU” adoro apontar o erro alheio e nem sempre penso nos meus… porque “EU” tenho razão, claro. “EU” sou um universo, e as pessoas TÊM que girar em torno de MIM. [Acho que "EU" estou precisando mais educação...]

Não estou dizendo que eu consiga – quem me dera! – , mas pelo menos tento. E vou seguir tentando, com a educação que minha família, minhas escolas e a vivência me dão e eu aceito de bom grado, sempre querendo saber mais. Se todo mundo tentasse também, tenho certeza de que o mundo seria um lugar bem melhor…