Hoje é um daqueles dias que só o Álvaro de Campos explica… sábado, jan 28 2012 

Sinceramente, não me interessa se você nasceu há 20, 50 ou 80 anos. Ou se em Ponta Porã, Berlim ou São Paulo; pode ter sido até em Pyongyang. Se é negro, amarelo ou rosa de listras azuis; mulher, homem ou hermafrodita.

Importa se você pode entender o que é frustração; se já chorou com os joelhos ralados debaixo do chuveiro; se já se arrependeu de ter roído as unhas a ponto de não enxergá-las mais; se já lamentou ter tido uma atitude, mesmo sabendo que teria se lamentado ainda mais de não tê-la feito; se se frustra com a falta de ser entendido(a); se sabe o que é misturar todos os bastões de massa de modelar para depois precisar de uma só cor e não ter; se já tentou gritar e se encontrou sem voz; se já sentiu que mesmo o que vem em excesso, nunca vem o bastante; se nunca se sentiu satisfeito(a); se já se incomodou de não entender – e percebeu que não fica mais fácil com o tempo; se não sabe precisar o que é felicidade, mas que precisa dela; se já ficou tão tenso a ponto de uma fagulha causar um afogamento de si; se se dói toda vez em que tem que mentir ou fingir para quem ama; se já sentiu vergonha e orgulho ao mesmo tempo só por ser si mesmo(a); se já ‘esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta’… você tem a palavra de que preciso.

Porque hoje é um daqueles dias que só o Álvaro de Campos explica…

Antes dos 30 sexta-feira, jan 20 2012 

Acordei em 2012 cheia de dúvidas (isso me lembrou de um poema de um velho amigo de casa, Fernando Davidovitsch – na época, eu não entendia o que queria dizer… acho que entendi). Dúvida se seria desta vez que tudo daria certo, se era agora que eu virava feliz-para-sempre, se era o ano que eu seria reconhecida por alguma coisa – qualquer coisa, se…

Bom, fato é que houve um clique: o mundo está mudando, a vida está passando e eu aqui parada… por estar cansada – veja só se não um absurdo? Colecionei tantos fracassos em um espaço de tempo tão relativamente curto que perdi o fôlego. Gostaria de dizer que isso se remete exclusivamente à vida profissional, mas quem me conhece sabe que isso é apenas a ponta do iceberg. Portanto, decidi deixar por alguns momentos o ‘o-que-foi-que-eu-fiz-de-errado’ pendurado no armário e vou apenas seguir. Adiante.

A primeira atitude que tomarei é a de justamente agradecer por tudo: pelas boas e más experiências, pelos crescimentos, e até pelos retrocessos. Porque nada foi e é fácil, e sempre há pessoas envolvidas. Às vezes boas, às vezes péssimas; mas o bom de tudo é que sempre aparecem pessoas ótimas em todos os processos. E devemos deixar claro que sem elas aquilo não teria sido possível. E isso é o pensamento de hoje. Que venham os trinta!

Eu até tentei, mas… sexta-feira, jan 6 2012 

… ele é louco por mim & eu sou louca.

Sem mais, meritíssimo.

23 de dezembro (ela é incrível) domingo, dez 25 2011 

Acordei atrasada, e ela já tinha saído. Talvez por um senso de autossuficiência, o que é ridículo em uma hora dessas, ela não quis me “incomodar”. Assumo que não esperava diferente, vindo dela. Mas não, não era admissível que ela estivesse sozinha naquele lugar, naquele momento, mesmo que eu não fizesse ideia de como me portar naquela hora.

Consegui ir, e lá estava ela. Cheguei, com meu acervo de corriqueirices & papos de elevador. Observei o ao-redor. Agradeci por ela ser a mais refeita do ambiente. Eu me orgulhei da peruca.

Horas pingue-pongueando, sinais de cansaço – em verdade, mais de minha parte que da dela. Finalmente, após a ansiedade no calor nauseabundo de dezembro, ela entrou. Não sei se devia, mas fui lá ver. Ela não quis que eu ficasse.

Bicho-carpinteirei do lado de fora, carcomendo os arredores do local. Enfim, voltei. Aquela agressão vermelha entrando em suas veias; ela sem qualquer sinal de fraqueza ou entrega. Forte, digna, vencedora.

Eu aprendi muito ao observá-la; ela é uma escola. Quanto ao cabelo, ele vai crescer, ela sabe. Eu também, e ela também sabe. Ela é incrível.

Mams, você sempre será a minha super-heroína. Não se preocupe, nada, nem sua cabeça rala de cabelos te diminui ou te enfraquece. Eu te amo. Você é incrível.

Natal quarta-feira, dez 7 2011 

Não há nada neste mundo com o qual eu possa mensurar o agradecimento real que eu sinto por vocês. Nada mesmo. Sinto que não digo o suficiente o quanto gosto de vocês, enquanto minha vida ultimamente não passa sem sua presença. Em suma, obrigada, por tudo, eu amo vocês como minha família. Obrigada mesmo. Por tudo, sobretudo a existência.

O problema? domingo, dez 4 2011 

Com o seu cinismo

e o meu sarcasmo,

não dá nem pra ter marasmo.

Diariamente quinta-feira, nov 17 2011 

Depois dos últimos acontecimentos em todos os âmbitos da minha curta porém complicada vida, não posso mais ser ingênua a ponto de ter expectativas. Em se tratando de mim, creio ser impossível anulá-las – posso, em contrapartida, reduzi-las ao mínimo, fazendo o máximo para mantê-las em bem baixa conta, e tentar nunca mais agradar que quer que seja.

Se sou fraca demais ou forte demais, ainda não decidi.

“La mala educación” sábado, nov 12 2011 

É muito fácil julgar os outros. Conheço pessoas que fazem do julgamento de outrem sua religião. Bom, eu já digo de antemão que sou alheia, até o momento, a religiões. Não me dizem respeito, e o máximo que eu puder evitar julgar, ótimo. Não vou entrar neste assunto.

Acho incrível que, na era em que estamos, em que comunicação é fácil, é rápida, é eficiente e engloba absolutamente tudo, as pessoas tenham problemas comunicativos extremos. Creio também que estes partam do simples pré-julgamento. Explico: telefona-se para alguém e esta pessoa não atende e nem retorna a ligação. Pensa-se que algo esteja errado, como “fulano(a) está me evitando”, “cicrano(a) não quis me dar atenção”, “por que raios beltrano(a) não quer falar comigo?”. Pré-acusação de nossa parte; como saber se ful/cicr/beltrano(a) de fato recebeu o chamado naquela hora? A maioria de nós prefere armar seu próprio argumento (ou a falta dele) antes de tentar pensar no outro lado da situação. É um exemplo bobo e corriqueiro, mas isso acontece o tempo todo em nossas vidas. E acho que a educação tenha um papel primordial nisso.

Não tenho grandes ambições; não quero dominar o mundo, não quero ter meu jatinho, não quero um prêmio Nobel. Mas gostaria muito que as pessoas pensassem um pouco mais nas outras – ou melhor, vissem a vida de outros lados. Aliás, isso surgiu na época em que caí em uma sala de aula pela primeira vez do lado de trás da mesa da frente. Feliz ou infelizmente, esse caminho de lousa eu não sigo mais, mas tenho muito respeito pela profissão e sinto que professores e professoras são muito mal valorizados neste país. E creio que só a educação pode nos ajudar, tanto na vida profissional, quanto na pessoal. Um indivíduo com uma boa formação sabe discernir (palavra ‘da moda’ cujo significado não creio ser entendido corretamente por muitos) as consequências de uma atitude, argumentar com clareza – sem se basear em pré-julgamentos ou conceitos. Enfim, o que todos deveríamos ser/fazer mas, infelizmente, não somos e muito menos fazemos.

Mas, fora da utopia e dentro do mundo real, é uma situação ‘ovo-e-galinha’. Como argumentar com uma pessoa que não sabe discernir nem o que pensa do que querem que ela pense? Como eu já comentei neste blog, fico embasbacada com comentários de internet – muitas vezes, não adianta alguém vir coberto(a) de razão e explicar seu ponto de vista de forma clara (aliás, muitas vezes, nem ‘desenhando’); é incrível como há quem não queira abrir a mente para opiniões diferentes! Daí surge o tal do pré-conceito e o tal do pré-julgamento (“como ele pode gostar de homem? EU acho um absurdo e EU não aceito”; “o quê? ela é negra? mas ele é branco… EU não gosto e Eu não aceito”; “como pode ele gostar desse tipo de música? EU não entendo e EU não aceito”; “ela não tem onde cair morta e ele é podre de rico. EU não acredito nisso e EU não aceito”). “EU” sempre acho que estou certo e não paro para pensar nos motivos alheios. “EU” não permito que os outros tenham outros estilos de vida. “EU” não aceito o tempo/momento/atitude/criação/etc. do outro. É bem difícil deslocar o foco do umbigo. Mas o estranho é que “EU” adoro apontar o erro alheio e nem sempre penso nos meus… porque “EU” tenho razão, claro. “EU” sou um universo, e as pessoas TÊM que girar em torno de MIM. [Acho que "EU" estou precisando mais educação...]

Não estou dizendo que eu consiga – quem me dera! – , mas pelo menos tento. E vou seguir tentando, com a educação que minha família, minhas escolas e a vivência me dão e eu aceito de bom grado, sempre querendo saber mais. Se todo mundo tentasse também, tenho certeza de que o mundo seria um lugar bem melhor…

sapiência, paciência sexta-feira, nov 11 2011 

ele não sabe.
a cada caco a cada ruído a cada estilhaço
ele não sabe.
a cada batida a cada ranger a cada corte
ele não sabe.
em vez de ele se fazer notado
ele não sabe.
a cada porta a cada janela a cada estrondo
ele está se tornando menos
ele não sabe.
humano
ele não quer saber.

Concrete Wall – Zee Avi sexta-feira, nov 4 2011 

What is this all about?
Settle down, please don’t yell or shout
The landlord, he lives downstairs
We’ll get evicted
Please don’t be too loud

You say I’m passive-aggressive
How can I not be?
When you’re always talking at me
You say I’m unresponsive
And here you are
Talking over me

You make me wanna throw this shoe
Right through that concrete wall
Maybe you should pack your things
If it’s that dreadful
Then just leave it all

Don’t wanna keep on sharing my bed
With someone that I have to love less and less
Every time I try to make you smile
You say that I’m being a child
Well, I tried my best

You say that I need therapy
Well, my darling, so do you
Don’t need for you to tell me
What is wrong in all I say or do

Please don’t try to throw this shoe
Right through that concrete wall
Maybe you should pack your things
If it’s that dreadful
Then just leave it all

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